segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Quem Cala Consente?


Quem cala consente?


Não sei qual o limite entre a veracidade desse ditado e o medo ou passividade do ser humano frente aos acontecimentos da vida...
O tempo todo escuto histórias de pessoas atônitas com acontecimentos que presenciaram, desaprovaram, mas que nada fizeram:
Essas são do metrô da cidade do Rio de Janeiro:

Apesar da existências de faixas pintadas de rosa e diversas placas anunciando a exclusividade de um único vagão em determinados horários, destinados somente às mulheres, não é incomum perceber a presença de alguns cavalheiros no local. Após algumas estações, um guarda entrou e pediu gentilmente que os cavalheiros desobedientes se mudassem dali... Deveria haver a necessidade de ter um guarda para que esse senhores fizessem o que era tão óbvio e tão bem sinalizado? 

Em um vagão lotado, havia  uma senhora de idade dando uma bela lição de moral à uma menina que devia ter seus 15 anos e que se negara a se levantar para ceder seu lugar a tal senhora. A menina alegava que haviam dois tipos de bancos: os verdes que eram para todos e os laranjas que eram lugares preferenciais e, bom, ela não estava nos preferenciais, então se sentia no direito de permanecer sentada, enquanto uma senhora de mais ou menos seus 80 anos permanecia em pé se segurando aos trancos e barrancos... 
Deveria ser necessário pintar bancos de cores diferentes para que pessoas com mais idades, gestantes, pessoas com crianças e deficientes tenham preferência de assento? E, já que há bancos pintados para pessoas com preferência, não fica ainda mais óbvio que estando ou não no banco laranja essas pessoas têm preferência para sentar? Deveria ser necessário pedir a jovens que se levantem para ceder seus lugares aos mais necessitados?

Após um dia cansativo de trabalho, cada um sentado em seu canto, descansando, alguns lendo, outros estudando, quando de repente entra um rapaz com um pequeno aparelhinho de som com o volume no máximo. Estava claro que aquilo incomodava a todos, mas, sem pensar duas vezes, uma dessas compenetradas em seu trabalho, retirou de sua bolsa um par de protetores de ouvido para que não fosse mais incomodada pelo tal cidadão que se sentia no direito de obrigar a todos a ouvir a sua música... Devemos todos andar com protetores de ouvidos nas bolsas? Ou devemos fazer com que as pessoas entendam que a " liberdade de um termina quando começa a do outro?". Somos obrigados a ouvir a música do outro? Somos obrigados a tapar os nossos ouvidos para que o outro não nos incomode?

O que mais me espanta é o que acontece nos ônibus... Crianças e jovens uniformizados de escolas públicas entram e saem dos ônibus sem precisar pagar passagem, estudam em colégios públicos porque o Governo mantém essas escolas graças aos impostos que nós trabalhadores pagamos, mas, no entanto, eles não cedem seus lugares àqueles que necessitam e ainda zombam daqueles trabalhadores em pé, com suas crianças no colo, voltando para suas casas... Não há atitude do motorista, nem do cobrador e de nenhum outro ser! 

Ninguém se indigna com esse tipo de atitude ou estão todos anestesiados porque seus times de futebol ganharam no último jogo? Ou a violência atual é tamanha que temos medo de agir em prol do correto? O que está acontecendo à nossa volta não nos afeta? 
Não nos pertence? 
Ou, concordamos com o velho ditado de que quem cala consente e todos estamos de acordo com essas maneiras de agir do ser humano? 

As MINHAS LENTES são cinzas para esse assunto! 
São cinzas porque realmente não sei o que se passa dentro de cada um em um momento desse. 
São cinzas porque cinza é a cor da ausência de emoção, da falta de ação, do nada!
Como diz a canção da Marisa Monte ”Pintaram tudo de cinza”... A gentileza se tornou cinza! Pelo menos, sob as MINHAS LENTES!


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